Por que você se preocupa sem motivo?
De quem você tem medo, sem razão?
Quem poderia matá-lo?
A alma não nasce nem morre.
Seja o que for que aconteceu, foi para o bem;
o que quer que esteja acontecendo, está acontecendo para o bem;
o que quer que virá a acontecer, também será somente para o bem.
Não sofra pelo passado.
Não se preocupe pelo futuro.
É o presente que está acontecendo agora...
O que é que você perdeu, que o faz chorar?
O que será que você trouxe consigo, que acha que perdeu?
O que será que você construiu, que acha que foi destruído?
Você não trouxe nada,
seja o que for que você tenha, você recebeu daqui.
Seja o que for que você deu, você deu somente aqui.
O que quer que você pegou, você pegou de Deus.
O que quer que você deu, você deu a Ele.
Você chegou de mãos vazias,
você retornará de mãos vazias.
O que é seu hoje, pertenceu a alguém ontem,
e pertencerá a alguém depois de amanhã.
Você está desfrutando erroneamente do pensamento de que isto é seu.
A causa de seus sofrimentos é esta felicidade ilusória.
Mudança é a lei do Universo.
O que você acha que é morte, é certamente vida.
Num momento você pode ser um milionário
e no outro poderá estar afundado na pobreza.
Seu e meu, grande e pequeno,
Apague estas idéias de sua mente.
Pois tudo é seu e você pertence ao Todo.
Este corpo não é seu e nem você é deste corpo.
O corpo é feito de fogo, água, terra e éter
e um dia desaparecerá nestes elementos.
Porém a alma é eterna - então, quem é você?
Dedique seu ser a Deus.
Ele é o único em quem podemos confiar.
Aqueles que tem consciência de Seu amparo
são eternamente livres de medo, preocupações e tristezas.
Qualquer coisa que você faça, faça-o dedicado a Deus.
Pois isto lhe proporcionará, para sempre,
a enorme experiência da alegria e liberdade de viver.
sábado, 10 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Você é a pessoa mais importante
Para você, a pessoa mais importante é você. Assim, você tem que organizar a sua vida de modo a colocar em prática isto. Você tem que reservar tempo pra você. Você tem que tomar providências para que sempre esteja preparado para enfrentar os seus desafios.
Isto vale para todas as áreas e também para todos os aspectos, seja, físico, emocional ou espiritual.
Se você se descuidar consigo mesmo, por exemplo, trabalhar de mais, vai enfraquecer e acabar ficando doente.
A gente tem que saber administrar o tempo. Pois, na maioria das vezes, a produtividade não depende apenas no número de horas trabalhadas. Geralmente é mais vantajoso estar mais concentrado naquilo que se está fazendo. Assim, normalmente, vale a pena intercalar períodos de relaxamentos, meditação, lazer e etc, entre as atividades de trabalho.
Defina um roteiro diário básico para a sua vida. Este roteiro deve incluir obrigatoriamente orações de agradecimento pelo novo dia (ao se levantar) e solicitação de proteção e inspiração para o dia que começa; período de meditação, e no final do dia é importante fazer um balanço do dia, orando em agradecimento por todas as experiências que tivemos, pelo que aprendemos e solicitando as bênçãos divinas para uma boa noite de sono restaurador.
Então coloque em prática tudo isto. Se valorize, se espiritualize, se aprimore e viva a vida em plenitude.
Isto vale para todas as áreas e também para todos os aspectos, seja, físico, emocional ou espiritual.
Se você se descuidar consigo mesmo, por exemplo, trabalhar de mais, vai enfraquecer e acabar ficando doente.
A gente tem que saber administrar o tempo. Pois, na maioria das vezes, a produtividade não depende apenas no número de horas trabalhadas. Geralmente é mais vantajoso estar mais concentrado naquilo que se está fazendo. Assim, normalmente, vale a pena intercalar períodos de relaxamentos, meditação, lazer e etc, entre as atividades de trabalho.
Defina um roteiro diário básico para a sua vida. Este roteiro deve incluir obrigatoriamente orações de agradecimento pelo novo dia (ao se levantar) e solicitação de proteção e inspiração para o dia que começa; período de meditação, e no final do dia é importante fazer um balanço do dia, orando em agradecimento por todas as experiências que tivemos, pelo que aprendemos e solicitando as bênçãos divinas para uma boa noite de sono restaurador.
Então coloque em prática tudo isto. Se valorize, se espiritualize, se aprimore e viva a vida em plenitude.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje
As pessoas, em geral, enfrentam problemas relacionados a postergação. Sempre acabam adiando as coisas, assim a vida passa e elas perdem o melhor.
Assim, se quiser ter uma vida feliz e de sucesso você tem que se organizar, tem que se disciplinar e com determinação fazer aquilo que deve ser feito.
Claro que tem que saber o que deve ser feito. Tem que se estabelecer objetivos e então planejar o que deve ser feito para atingi-los. Pois se não se planejar, as coisas vão acontecendo e você acaba sendo levado pelo turbilhão do mundo e deixa de fazer aquilo que é importante para você.
Ninguém pode fazer nada por você. Você é o agente de ação e transformação. A sua vida, todas as situações e acontecimentos são obrigação. Você se engana, se acha que algum deus vai fazer algo por você se você não se mexer e fizer a sua parte.
Assim, se quiser ter uma vida feliz e de sucesso você tem que se organizar, tem que se disciplinar e com determinação fazer aquilo que deve ser feito.
Claro que tem que saber o que deve ser feito. Tem que se estabelecer objetivos e então planejar o que deve ser feito para atingi-los. Pois se não se planejar, as coisas vão acontecendo e você acaba sendo levado pelo turbilhão do mundo e deixa de fazer aquilo que é importante para você.
Ninguém pode fazer nada por você. Você é o agente de ação e transformação. A sua vida, todas as situações e acontecimentos são obrigação. Você se engana, se acha que algum deus vai fazer algo por você se você não se mexer e fizer a sua parte.
sábado, 12 de junho de 2010
CULPA - A BUSCA DA PERFEIÇÃO
Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: Não deveria.... A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a auto-tortura. Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra. Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu. O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.
Muitas pessoas dedicam a sua vida a tentar realizar a concepção do que elas devem ser, em vez de se realizarem a si mesmas. A diferença entre auto-realização e realização da imagem de como deveríamos ser é muito mais importante. A maioria das pessoas vive apenas em função da sua imagem ideal e este é um instrumento fenomenal para se fazer o jogo preferido do neurótico: a auto-tortura, o auto aborrecimento, o auto-castigo, a autopunição, a culpa.
Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!
A culpa sempre se esconde atrás da máscara do auto-aperfeiçoamento como garantia de mudança e nunca dá certo. Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista de nossos pecados no confessionário é sempre a mesma. A culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos. Por isto mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio. Não existe nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa. A culpa é um auto-desprezo, um auto-desrespeito pela natureza humana, por seus limites e pela sua fragilidade. A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida. Por isto é que se diz que, ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos, e a nossa recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas que ainda residem dentro de nós.
Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva, são algumas crenças falsas. Trabalhar o sentimento de culpa é, primordialmente, descobrir as convicções falsas que existem em nós, aquelas verdades em que cremos e que são errôneas, e nos levam a este sentimento. A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito, quem acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa. A expectativa perfeccionista da vida é um produto da nossa fantasia, é um conceito alienado de que é possível não errar, que é possível viver sem cometer erros.
Quanto maior for a discrepância entre a realidade objetiva e as nossas fantasias, entre aquilo que podemos nos tornar através do nosso verdadeiro potencial e os conceitos idealistas impostos, tanto maior será o nosso esforço na vida e maior a nossa frustração. Respondendo a esta crença opressora da perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas necessidades. Nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente as nossas limitações e desempenhamos papéis sem base na nossa capacidade. Construímos um inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de como realmente somos. Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.
É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que cada um espera do outro. É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição gera tensões e hostilidades, num jogo mútuo de culpa. Esta situação se aplica a todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito. Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos neuroticamente para atender ao irreal. Embora as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas! Embora digam que a perfeição não existe, continuam a se torturar e a se punir e continuam a torturar e a punir os outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista do qual não querem abrir mão.
Outra crença que nos leva à culpa, esta talvez mais sutil, mais encoberta e profunda, é acreditarmos que há uma relação necessária entre o erro e a culpa, é a vinculação automática entre erro e culpa. Quase todas as pessoas a quem temos perguntado de onde vêm os seus sentimentos de culpa, nos respondem taxativamente que vêm de seus erros. Acreditamos que a culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode, de maneira alguma, haver erro sem haver culpa. Se acreditamos nisto, estamos num problema insolúvel. Ou vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa - e isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida - ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. Essa vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa. A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado. Uma coisa é o erro, outra coisa é a culpa; erros são erros, culpa é culpa. São duas coisas distintas, separadas, e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída para o nosso sentimento de culpa. O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão.
O que é chamado erro é a saída fora de um modelo determinado, que pode ser errado hoje e não amanhã, pode ser errado num país e não ser errado em outro. A culpa é um sentimento, vem de nós, vem da crença de que é errado errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas; crença de que a cada erro deve corresponder necessariamente um castigo, de que a cada falta deve corresponder uma punição. Aliás, o sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido. Não é possível não errar, o erro é inerente à natureza humana, ele é necessário a nossa vida. Na perfeição humana está incluída a imperfeição. Só crescemos através do erro.
As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa. Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa infrutífera de acabar com a nossa culpa.
A propósito do erro, há um texto interessantíssimo no livro Buscando Ser o que Eu Sou, de IlkePraha, que diz: O perfeccionismo é uma morte lenta. Se tudo se cumprisse à risca, como eu gostaria, exatamente como planejara, jamais experimentaria algo novo, minha vida seria um repetição infinda de sucessos já vividos. Quando cometo um erro vivo algo inesperado. Algumas vezes reajo ao cometer erros como se tivesse traído a mim mesmo. O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita presunção de que sou potencialmente perfeito e de que, se for muito cuidadoso, não perderei o céu. Contudo, o erro é uma demonstração de como eu sou, é um solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não estou lidando com os fatos. Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de me lamentar por dentro, terei crescido. Este é o texto.
Algumas pessoas nos perguntam: Mas como avançar em relação a este sentimento, como arrancar de mim este hábito de me deprimir com os erros cometidos? Só existe uma saída para o sentimento de culpa. Façamos uma fantasia: imaginemos por um instante que estamos à morte e nossos sentimentos deste momento são de angústia, tristeza e frustração por todos os erros cometidos, por tudo o que deveríamos ter feito e não fizemos; remorsos pelos nossos fracassos como pai, como mãe, como profissional, como esposo, como esposa, como religioso, como cidadão, mas, ao mesmo tempo, estamos com um profundo desejo de morrer em paz, de sair desse processo íntimo de angústia e morrer tranquilos. Qual a única palavra que, se pronunciada neste momento, sentida com todo coração, teria o poder de transformar a nossa dor em alegria, o nosso conflito em harmonia, a nossa tristeza em felicidade? Somente uma palavra teria essa magia. A palavra é: Perdão.
O Perdão é uma palavra perdida em nossa vida. O primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o sentimento de perdão, o sentimento de auto-perdão. Se a culpa é a vergonha da queda, o auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O auto-perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo: Eu me perdôo pelos erros cometidos, eu me perdôo por não ser perfeito, eu me perdôo pela minha natureza humana, eu me perdôo pelas minhas limitações, eu me perdôo por não ser onipotente, por não ser onipresente, por não ser onisciente, eu me perdôo por.... O perdão é sempre assim mesmo, é pessoal e intransferível.
O perdão aos outros é apenas um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos. Perdoarmo-nos é restabelecer a nossa própria unidade, a nossa inteireza diante da vida, é unir outra vez o que a culpa dividiu, é uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito; é o encontro corajoso e amoroso com a realidade.
Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia. A criança faz isto muito bem. O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e nos baixos. O auto-perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, é a aceitação de que o passado é uma fantasia, é apenas saber perder o que já está perdido. O auto-perdão é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma adesão ao presente, à única coisa viva que possuímos, que são nossas possibilidades neste momento. Não podemos abraçar o presente, a vida, o passado e a morte ao mesmo tempo. O perdão é uma opção para a vida, o auto-perdão é a paciência diante da escuridão, é o vislumbre da aurora no final da noite. O auto-perdão é o sacudir da poeira, é a renovação da auto-estima e da alegria de viver, é o agradecimento por sabermos que mais importante do que termos cometido um erro é estarmos vivos, é estarmos presentes.
Para encerrar este tema, quero sugerir-lhes uma reflexão sobre este texto escrito por FrederickPearls: Que isto fique para o homem! Tentar ser algo que não é, ter idéias que não são atingíveis, ter a praga do perfeccionismo de forma a estar livre de críticas, é abrir a senda infinita da tortura mental. Amigo, não seja um perfeccionista. Perfeccionismo é uma maldição e uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo. Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova. Amigo, não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si.
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
Muitas pessoas dedicam a sua vida a tentar realizar a concepção do que elas devem ser, em vez de se realizarem a si mesmas. A diferença entre auto-realização e realização da imagem de como deveríamos ser é muito mais importante. A maioria das pessoas vive apenas em função da sua imagem ideal e este é um instrumento fenomenal para se fazer o jogo preferido do neurótico: a auto-tortura, o auto aborrecimento, o auto-castigo, a autopunição, a culpa.
Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!
A culpa sempre se esconde atrás da máscara do auto-aperfeiçoamento como garantia de mudança e nunca dá certo. Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista de nossos pecados no confessionário é sempre a mesma. A culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos. Por isto mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio. Não existe nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa. A culpa é um auto-desprezo, um auto-desrespeito pela natureza humana, por seus limites e pela sua fragilidade. A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida. Por isto é que se diz que, ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos, e a nossa recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas que ainda residem dentro de nós.
Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva, são algumas crenças falsas. Trabalhar o sentimento de culpa é, primordialmente, descobrir as convicções falsas que existem em nós, aquelas verdades em que cremos e que são errôneas, e nos levam a este sentimento. A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito, quem acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa. A expectativa perfeccionista da vida é um produto da nossa fantasia, é um conceito alienado de que é possível não errar, que é possível viver sem cometer erros.
Quanto maior for a discrepância entre a realidade objetiva e as nossas fantasias, entre aquilo que podemos nos tornar através do nosso verdadeiro potencial e os conceitos idealistas impostos, tanto maior será o nosso esforço na vida e maior a nossa frustração. Respondendo a esta crença opressora da perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas necessidades. Nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente as nossas limitações e desempenhamos papéis sem base na nossa capacidade. Construímos um inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de como realmente somos. Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.
É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que cada um espera do outro. É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição gera tensões e hostilidades, num jogo mútuo de culpa. Esta situação se aplica a todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito. Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos neuroticamente para atender ao irreal. Embora as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas! Embora digam que a perfeição não existe, continuam a se torturar e a se punir e continuam a torturar e a punir os outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista do qual não querem abrir mão.
Outra crença que nos leva à culpa, esta talvez mais sutil, mais encoberta e profunda, é acreditarmos que há uma relação necessária entre o erro e a culpa, é a vinculação automática entre erro e culpa. Quase todas as pessoas a quem temos perguntado de onde vêm os seus sentimentos de culpa, nos respondem taxativamente que vêm de seus erros. Acreditamos que a culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode, de maneira alguma, haver erro sem haver culpa. Se acreditamos nisto, estamos num problema insolúvel. Ou vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa - e isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida - ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. Essa vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa. A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado. Uma coisa é o erro, outra coisa é a culpa; erros são erros, culpa é culpa. São duas coisas distintas, separadas, e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída para o nosso sentimento de culpa. O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão.
O que é chamado erro é a saída fora de um modelo determinado, que pode ser errado hoje e não amanhã, pode ser errado num país e não ser errado em outro. A culpa é um sentimento, vem de nós, vem da crença de que é errado errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas; crença de que a cada erro deve corresponder necessariamente um castigo, de que a cada falta deve corresponder uma punição. Aliás, o sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido. Não é possível não errar, o erro é inerente à natureza humana, ele é necessário a nossa vida. Na perfeição humana está incluída a imperfeição. Só crescemos através do erro.
As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa. Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa infrutífera de acabar com a nossa culpa.
A propósito do erro, há um texto interessantíssimo no livro Buscando Ser o que Eu Sou, de IlkePraha, que diz: O perfeccionismo é uma morte lenta. Se tudo se cumprisse à risca, como eu gostaria, exatamente como planejara, jamais experimentaria algo novo, minha vida seria um repetição infinda de sucessos já vividos. Quando cometo um erro vivo algo inesperado. Algumas vezes reajo ao cometer erros como se tivesse traído a mim mesmo. O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita presunção de que sou potencialmente perfeito e de que, se for muito cuidadoso, não perderei o céu. Contudo, o erro é uma demonstração de como eu sou, é um solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não estou lidando com os fatos. Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de me lamentar por dentro, terei crescido. Este é o texto.
Algumas pessoas nos perguntam: Mas como avançar em relação a este sentimento, como arrancar de mim este hábito de me deprimir com os erros cometidos? Só existe uma saída para o sentimento de culpa. Façamos uma fantasia: imaginemos por um instante que estamos à morte e nossos sentimentos deste momento são de angústia, tristeza e frustração por todos os erros cometidos, por tudo o que deveríamos ter feito e não fizemos; remorsos pelos nossos fracassos como pai, como mãe, como profissional, como esposo, como esposa, como religioso, como cidadão, mas, ao mesmo tempo, estamos com um profundo desejo de morrer em paz, de sair desse processo íntimo de angústia e morrer tranquilos. Qual a única palavra que, se pronunciada neste momento, sentida com todo coração, teria o poder de transformar a nossa dor em alegria, o nosso conflito em harmonia, a nossa tristeza em felicidade? Somente uma palavra teria essa magia. A palavra é: Perdão.
O Perdão é uma palavra perdida em nossa vida. O primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o sentimento de perdão, o sentimento de auto-perdão. Se a culpa é a vergonha da queda, o auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O auto-perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo: Eu me perdôo pelos erros cometidos, eu me perdôo por não ser perfeito, eu me perdôo pela minha natureza humana, eu me perdôo pelas minhas limitações, eu me perdôo por não ser onipotente, por não ser onipresente, por não ser onisciente, eu me perdôo por.... O perdão é sempre assim mesmo, é pessoal e intransferível.
O perdão aos outros é apenas um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos. Perdoarmo-nos é restabelecer a nossa própria unidade, a nossa inteireza diante da vida, é unir outra vez o que a culpa dividiu, é uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito; é o encontro corajoso e amoroso com a realidade.
Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia. A criança faz isto muito bem. O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e nos baixos. O auto-perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, é a aceitação de que o passado é uma fantasia, é apenas saber perder o que já está perdido. O auto-perdão é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma adesão ao presente, à única coisa viva que possuímos, que são nossas possibilidades neste momento. Não podemos abraçar o presente, a vida, o passado e a morte ao mesmo tempo. O perdão é uma opção para a vida, o auto-perdão é a paciência diante da escuridão, é o vislumbre da aurora no final da noite. O auto-perdão é o sacudir da poeira, é a renovação da auto-estima e da alegria de viver, é o agradecimento por sabermos que mais importante do que termos cometido um erro é estarmos vivos, é estarmos presentes.
Para encerrar este tema, quero sugerir-lhes uma reflexão sobre este texto escrito por FrederickPearls: Que isto fique para o homem! Tentar ser algo que não é, ter idéias que não são atingíveis, ter a praga do perfeccionismo de forma a estar livre de críticas, é abrir a senda infinita da tortura mental. Amigo, não seja um perfeccionista. Perfeccionismo é uma maldição e uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo. Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova. Amigo, não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si.
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Medo de Perder
Um dos maiores obstáculos para uma vida harmônica, plena, mais expressiva e significativa é o medo de perder, sobretudo medo de perder alguém, o medo de perder quem dizemos amar: cônjuge, filhos amigos, patrão, empregado, cliente... Esta emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital.
O medo de perder é o medo de tornarmos dispensáveis para a pessoa com a qual estamos nos relacionando, ele se reveste de mil e uma formas, aparece sobre mil disfarces, como o medo de sermos criticados, que falem mal de nós, medo de que nos humilhem, de sermos rejeitados, de não sermos importantes, de sermos menosprezados, de não sermos amados, medo da solidão, e tudo isso pode ser designado por uma palavra: C I Ú M E S !
O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos: nós e o outro como objetos, nesta relação pessoas e objetos são a mesma coisa. No ciúme temos medo de um dia sermos considerados inúteis, dispensáveis a outra pessoa, esta é a emoção do apelo, confusa, misturada, dependente e o que agrava é que na nossa cultora aprendemos o ciúme como sendo amor, e ele é justamente o oposto do amor pois na relação amorosa existe identidade, eu sou independentemente de você, na relação ciumenta, por outro lado, perde-se a identidade: eu sem você não valho nada, você é tudo para mim.
O amor é solto, é livre, vem de querência intima, está diretamente ligada ao sentimento de liberdade, de opção, de escolha. O ciúme prende, amarra, condiciona, determina, com essa emoção eu já não sou eu, sou o que o outro quer que eu seja. E eu sou assim para que ele seja aquilo que eu quero que ele seja.
No ciúme há um pacto de destruição mútua, cada qual, usa o outro como garantia de que não estará sozinho. Eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que o outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite, eu acabo me destruindo para que o outro não me destrua.
O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui, nós passamos a vida inteira com medo de tornarmos algo que nós já somos: TOTALMENTE DISPENSÁVEIS!
O homem por definição é dispensável, transitório, efêmero, aquilo que passa, e isso é bastante real. Em todas as relações que temos somos hoje, somos substituíveis! O mundo sempre existiu antes de nós, está existindo conosco e continuará existindo sem nós. Somos necessários aqui e agora, mas seremos dispensáveis além e depois.
O medo de ser dispensáveis a alguém é o mesmo medo que temos da morte, que é real, pois o medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade irreal de sermos eternos e imutáveis. O medo de perder nos dá a entender que as coisas só valem se forem eternas, se forem permanentes e duráveis. Uma relação só tem valor se tivermos garantia de que a vida sempre será assim como é. E, como tudo é transitório, como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento.
As conseqüências do ciúme são muito claras. Se eu tenho medo de que me abandonem, de que não me amem, de me tornar dispensável, ao invés de fazer cada vez mais para que cada vez mais eu seja melhor, acabo gastando toda a minha energia para provar ao outro que eu já sou o mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro!
Ao invés de empenhar esforços para ser um cônjuge, um filho, um amigo, um pai ou uma mãe cada vez melhor, eu gasto toda a minha energia tentando provar a eles: que eu sou o melhor cônjuge do mundo, o que é uma mentira; o melhor filho do mundo, o que é uma mentira; o melhor pai ou mãe do mundo, o que é uma mentira; o melhor amigo do mundo, o que é uma mentira; e assim por diante...
O ciúme nos conduz ao delírio da onipotência, os nossos atos, nossas iniciativas, a nossa conversa, o nosso comportamento, as nossas considerações, tudo isso é para mostrar ao outro que já somos bons, capazes e perfeitos. Aqui está a diferença básica e fundamental entre o medo de perder e a vontade de ganhar.
O medo de perder é assim... Ganhamos, ninguém vai nos tomar o que já possuímos, para conservarmos o que já ganhamos... E com isso nós já chegamos ao ponto máximo, só temos que perder.
À vontade de ganhar por outro lado, é assim... Estaremos sempre ativos, descobrindo oportunidades do ganho, procuraremos ganhar cada vez mais em vez de nos preocupar com possíveis perdas.
O que temos de mais sagrado é a nossa própria vida e esta nós já vamos perder, todas as outras perdas são secundárias.
O medo de perder é reativo, defensivo, justificativo! As pessoas ciumentas estão sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre se conservando.
As pessoas, com vontade de ganhar estão sempre optando, arriscando, o medo de perder é a vivência do futuro, é a vivência antecipada do futuro, é preocupação. À vontade de ganhar, por outro lado, é a vivência do presente, é a vivencia da beleza do presente.
Em tudo, a cada momento existem riscos e existem oportunidades. No medo da perda a pessoa só vê os risco, na vontade de ganhar a pessoa também vê os risco, mas, sobretudo, vê as oportunidades. Cada momento da vida é um desafio para o crescimento.
A vontade de ganhar, a qual nos referimos, não significa ganhar de outra pessoa, e sim ganharmos de nós mesmos, ser cada vez mais, estar disposto a dar um passo a frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais. É importante termos para nós, que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem, que ninguém chegou ao seu limite máximo, que idade adulta não significa que chegamos ao máximo de nossas potencialidades, não existe pessoa madura, existe sim, pessoas em amadurecimento.
Todo nosso sofrimento se dá por uma paralisação de nosso crescimento pessoal, e cada um os sabe muito bem onde paralisou, onde nossa energia está bloqueada, onde não está tendo expansão de nossa própria energia.
Ainda, não vimos até hoje, um relacionamento se deteriorar sem a presença marcante do ciúme, do desejo de sermos donos da outra pessoa, de ter poder e controle sobre as ações e até dos pensamentos da pessoa que dizemos amar!
O ciúme é a doença do amor, é um profundo desamor a si mesmo e conseqüentemente um desamor ao outro, pelo ciúme se estabelece uma relação entre dominador x dominado. O ciúme é a dor da incerteza com relação ao sentimento de alguém no futuro. É a raiva de não possuir a segurança absoluta do relacionamento no futuro, é a tristeza de não saber o que vai acontecer amanhã. Alias, o que dói no ciúme, é a insegurança do futuro, é a insegurança do desconhecido. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos: segurança...
Pois ela não existe! Ser seguro não é acabar com a insegurança, mas aceitá-la como inerente à natureza humana. Ninguém pode acabar com o risco do amor, por isso só é possível estar em estado de amor quando sabemos estar em um estado de risco!
Desperdiçamos o único momento que temos, que é o A G O R A, em função de um momento inexistente: o F U T U RO ! Parece que as pessoas só valem para nós amanhã, no futuro. Nós não curtimos o relacionamento hoje com nosso cônjuge, com os filhos, com os amigos, sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles. O filho, por exemplo, parece que só nos é importante amanhã, quando crescer, quando se formar, quando casar, trabalhar, etc... Até hoje, não conhecemos um pai que estivesse preocupado com o futuro do filho que estivesse brincando com eles. Em geral, não tem tempo porque estão muito ocupados em assegurar aos filhos um futuro brilhante!
O ciúme é a incapacidade de vivermos a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida, querendo ou não! Hoje estamos começando, e viver é considerar cada segundo de novo, a cada dia, o seu próprio cuidado. O medo daquilo que nos pode acontecer, tira nos a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver, o medo de perder alguém tira a beleza de estar com ela agora, alias quando se tem medo de perder alguém é porque pensamos que as pessoas são nossas, ninguém pode perder o que não tem.
Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma, podemos perder um livro, um isqueiro, uma bolsa, porém jamais podemos perder uma pessoa.
O sinônimo do medo de perder é a obsessão pelo primeiro lugar, colocamos nos ombros a tarefa impossível de sermos sempre os primeiros em todos os lugares e em todas as circunstâncias. Se for em casa, queremos ser o primeiro, se for no trabalho, também o primeiro, num assunto específico queremos ser o primeiro, em outro assunto qualquer sempre o primeiro. O 1o lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o 2o lugar é esperançoso, é enverdejante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta um caminho a seguir: COMEÇAR A DESCER!!
No 2olugar, ainda temos para onde ir, para onde crescer, a postura do 2o lugar nos leva ao crescimento contínuo, porque você se decreta em 2o lugar mesmo que esteja eventualmente no 1o lugar perante a sociedade.
O 2o lugar não em relação ao outro, mas em relação a nós próprios, ou seja, ainda teremos por onde crescer e melhorar. Você sabe por que o mar é tão grande? É porque ele teve a humildade de se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande, se quisesse ser o 1o e se colocasse alguns centímetros de todos os rios da terra, não seria o mar, mas uma ilha, toda a sua água iria para os outros, e ele estaria isolado...
Além disso, a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte, é impossível viver satisfatoriamente se não aceitamos a queda, a perda, a morte o erro, precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Não é possível saber ganhar sem saber perder, não é possível saber andar sem saber cair, não é possível viver sem saber morrer!
Em outras palavras, se temos medo de cair, andar será muito doloroso; se temos medo de morrer, a vida será muito ruim; se temos medo de perder, o ganho nos enche de preocupação!!!
Esta é a figura do fracasso dentro do sucesso, pois quanto mais ganha, quanto mais melhora na vida, mais sofre. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre, quanto mais dinheiro obtém mais preocupado fica. Para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida.
Agora, se você aprende a perder, a cair, a errar e a morrer, ninguém o controla mais, pois o máximo que pode acontecer a você é cair, é perder, é errar, é morrer e isso você já sabe!!
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
O medo de perder é o medo de tornarmos dispensáveis para a pessoa com a qual estamos nos relacionando, ele se reveste de mil e uma formas, aparece sobre mil disfarces, como o medo de sermos criticados, que falem mal de nós, medo de que nos humilhem, de sermos rejeitados, de não sermos importantes, de sermos menosprezados, de não sermos amados, medo da solidão, e tudo isso pode ser designado por uma palavra: C I Ú M E S !
O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos: nós e o outro como objetos, nesta relação pessoas e objetos são a mesma coisa. No ciúme temos medo de um dia sermos considerados inúteis, dispensáveis a outra pessoa, esta é a emoção do apelo, confusa, misturada, dependente e o que agrava é que na nossa cultora aprendemos o ciúme como sendo amor, e ele é justamente o oposto do amor pois na relação amorosa existe identidade, eu sou independentemente de você, na relação ciumenta, por outro lado, perde-se a identidade: eu sem você não valho nada, você é tudo para mim.
O amor é solto, é livre, vem de querência intima, está diretamente ligada ao sentimento de liberdade, de opção, de escolha. O ciúme prende, amarra, condiciona, determina, com essa emoção eu já não sou eu, sou o que o outro quer que eu seja. E eu sou assim para que ele seja aquilo que eu quero que ele seja.
No ciúme há um pacto de destruição mútua, cada qual, usa o outro como garantia de que não estará sozinho. Eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que o outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite, eu acabo me destruindo para que o outro não me destrua.
O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui, nós passamos a vida inteira com medo de tornarmos algo que nós já somos: TOTALMENTE DISPENSÁVEIS!
O homem por definição é dispensável, transitório, efêmero, aquilo que passa, e isso é bastante real. Em todas as relações que temos somos hoje, somos substituíveis! O mundo sempre existiu antes de nós, está existindo conosco e continuará existindo sem nós. Somos necessários aqui e agora, mas seremos dispensáveis além e depois.
O medo de ser dispensáveis a alguém é o mesmo medo que temos da morte, que é real, pois o medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade irreal de sermos eternos e imutáveis. O medo de perder nos dá a entender que as coisas só valem se forem eternas, se forem permanentes e duráveis. Uma relação só tem valor se tivermos garantia de que a vida sempre será assim como é. E, como tudo é transitório, como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento.
As conseqüências do ciúme são muito claras. Se eu tenho medo de que me abandonem, de que não me amem, de me tornar dispensável, ao invés de fazer cada vez mais para que cada vez mais eu seja melhor, acabo gastando toda a minha energia para provar ao outro que eu já sou o mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro!
Ao invés de empenhar esforços para ser um cônjuge, um filho, um amigo, um pai ou uma mãe cada vez melhor, eu gasto toda a minha energia tentando provar a eles: que eu sou o melhor cônjuge do mundo, o que é uma mentira; o melhor filho do mundo, o que é uma mentira; o melhor pai ou mãe do mundo, o que é uma mentira; o melhor amigo do mundo, o que é uma mentira; e assim por diante...
O ciúme nos conduz ao delírio da onipotência, os nossos atos, nossas iniciativas, a nossa conversa, o nosso comportamento, as nossas considerações, tudo isso é para mostrar ao outro que já somos bons, capazes e perfeitos. Aqui está a diferença básica e fundamental entre o medo de perder e a vontade de ganhar.
O medo de perder é assim... Ganhamos, ninguém vai nos tomar o que já possuímos, para conservarmos o que já ganhamos... E com isso nós já chegamos ao ponto máximo, só temos que perder.
À vontade de ganhar por outro lado, é assim... Estaremos sempre ativos, descobrindo oportunidades do ganho, procuraremos ganhar cada vez mais em vez de nos preocupar com possíveis perdas.
O que temos de mais sagrado é a nossa própria vida e esta nós já vamos perder, todas as outras perdas são secundárias.
O medo de perder é reativo, defensivo, justificativo! As pessoas ciumentas estão sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre se conservando.
As pessoas, com vontade de ganhar estão sempre optando, arriscando, o medo de perder é a vivência do futuro, é a vivência antecipada do futuro, é preocupação. À vontade de ganhar, por outro lado, é a vivência do presente, é a vivencia da beleza do presente.
Em tudo, a cada momento existem riscos e existem oportunidades. No medo da perda a pessoa só vê os risco, na vontade de ganhar a pessoa também vê os risco, mas, sobretudo, vê as oportunidades. Cada momento da vida é um desafio para o crescimento.
A vontade de ganhar, a qual nos referimos, não significa ganhar de outra pessoa, e sim ganharmos de nós mesmos, ser cada vez mais, estar disposto a dar um passo a frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais. É importante termos para nós, que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem, que ninguém chegou ao seu limite máximo, que idade adulta não significa que chegamos ao máximo de nossas potencialidades, não existe pessoa madura, existe sim, pessoas em amadurecimento.
Todo nosso sofrimento se dá por uma paralisação de nosso crescimento pessoal, e cada um os sabe muito bem onde paralisou, onde nossa energia está bloqueada, onde não está tendo expansão de nossa própria energia.
Ainda, não vimos até hoje, um relacionamento se deteriorar sem a presença marcante do ciúme, do desejo de sermos donos da outra pessoa, de ter poder e controle sobre as ações e até dos pensamentos da pessoa que dizemos amar!
O ciúme é a doença do amor, é um profundo desamor a si mesmo e conseqüentemente um desamor ao outro, pelo ciúme se estabelece uma relação entre dominador x dominado. O ciúme é a dor da incerteza com relação ao sentimento de alguém no futuro. É a raiva de não possuir a segurança absoluta do relacionamento no futuro, é a tristeza de não saber o que vai acontecer amanhã. Alias, o que dói no ciúme, é a insegurança do futuro, é a insegurança do desconhecido. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos: segurança...
Pois ela não existe! Ser seguro não é acabar com a insegurança, mas aceitá-la como inerente à natureza humana. Ninguém pode acabar com o risco do amor, por isso só é possível estar em estado de amor quando sabemos estar em um estado de risco!
Desperdiçamos o único momento que temos, que é o A G O R A, em função de um momento inexistente: o F U T U RO ! Parece que as pessoas só valem para nós amanhã, no futuro. Nós não curtimos o relacionamento hoje com nosso cônjuge, com os filhos, com os amigos, sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles. O filho, por exemplo, parece que só nos é importante amanhã, quando crescer, quando se formar, quando casar, trabalhar, etc... Até hoje, não conhecemos um pai que estivesse preocupado com o futuro do filho que estivesse brincando com eles. Em geral, não tem tempo porque estão muito ocupados em assegurar aos filhos um futuro brilhante!
O ciúme é a incapacidade de vivermos a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida, querendo ou não! Hoje estamos começando, e viver é considerar cada segundo de novo, a cada dia, o seu próprio cuidado. O medo daquilo que nos pode acontecer, tira nos a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver, o medo de perder alguém tira a beleza de estar com ela agora, alias quando se tem medo de perder alguém é porque pensamos que as pessoas são nossas, ninguém pode perder o que não tem.
Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma, podemos perder um livro, um isqueiro, uma bolsa, porém jamais podemos perder uma pessoa.
O sinônimo do medo de perder é a obsessão pelo primeiro lugar, colocamos nos ombros a tarefa impossível de sermos sempre os primeiros em todos os lugares e em todas as circunstâncias. Se for em casa, queremos ser o primeiro, se for no trabalho, também o primeiro, num assunto específico queremos ser o primeiro, em outro assunto qualquer sempre o primeiro. O 1o lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o 2o lugar é esperançoso, é enverdejante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta um caminho a seguir: COMEÇAR A DESCER!!
No 2olugar, ainda temos para onde ir, para onde crescer, a postura do 2o lugar nos leva ao crescimento contínuo, porque você se decreta em 2o lugar mesmo que esteja eventualmente no 1o lugar perante a sociedade.
O 2o lugar não em relação ao outro, mas em relação a nós próprios, ou seja, ainda teremos por onde crescer e melhorar. Você sabe por que o mar é tão grande? É porque ele teve a humildade de se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande, se quisesse ser o 1o e se colocasse alguns centímetros de todos os rios da terra, não seria o mar, mas uma ilha, toda a sua água iria para os outros, e ele estaria isolado...
Além disso, a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte, é impossível viver satisfatoriamente se não aceitamos a queda, a perda, a morte o erro, precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Não é possível saber ganhar sem saber perder, não é possível saber andar sem saber cair, não é possível viver sem saber morrer!
Em outras palavras, se temos medo de cair, andar será muito doloroso; se temos medo de morrer, a vida será muito ruim; se temos medo de perder, o ganho nos enche de preocupação!!!
Esta é a figura do fracasso dentro do sucesso, pois quanto mais ganha, quanto mais melhora na vida, mais sofre. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre, quanto mais dinheiro obtém mais preocupado fica. Para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida.
Agora, se você aprende a perder, a cair, a errar e a morrer, ninguém o controla mais, pois o máximo que pode acontecer a você é cair, é perder, é errar, é morrer e isso você já sabe!!
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Crenças
Cremos que a vida humana é múltipla em manifestações, mas uma só em essência e que somos um canal de manifestação da vida, e que lutar contra é uma forma de onipotência, é querer parar o fluxo harmônico da natureza.
Cremos que a família menos que um conjunto de obrigações, é um laboratório de treinamento na operacionalidade do amor, uma experiência comum das diferenças individuais, é na diferença que se situam o crescimento e o amor e que crescer é fazermos em níveis maiores a ligação entre os contrários!
Cremos que o tempo não existe, como força fora de nós, mas que o tempo somos nós mesmos em movimento, em transitoriedade... Que a segurança não existe a não ser como a aceitação da insegurança básica da pessoa humana. Que o amor, a bondade, a verdade e a ternura devem ser cultivados não por imposição moral, mas porque fazem parte das leis naturais do mundo.
Cremos que estamos na vida para louvar a gratuidade, a simplicidade e o imprevisto, que a vida só se vive no improviso, no rascunho. Que nenhum de nós é um todo, mas apenas uma parte, que a alma é um pedaço de nosso corpo e que nosso corpo é um pedaço de nossa alma.
Cremos que até nisso as pessoas são iguais, cada um é diferente, que somos criança, adultos e velhos ao mesmo tempo. Que viver é juntar diariamente o separado e separar diariamente o que está junto.
Cremos que se aprendemos a nadar, temos que aprender a mergulhar, e que para aprendermos a ganhar, temos que aprendermos a perder, que para aprendermos a viver temos que aprender a morrer, que para sentir prazer temos que aprender a sentir dor. Que para aprendermos, a saber, temos que aprendermos a não saber!
Cremos que ser diferentes é ser livre, que o passado e o futuro são importantes como referência da nossa vida, e não como uma determinante dela, que existem o conhecido, o desconhecido e o incognoscível. Que o vazio faz parte do mundo e é onde recebemos o mundo, jamais teremos segurança total, inteligência total, presença total, saúde total, potência total.
Cremos que nossa força vem da consciência de nossa fraqueza, que nossa coragem vem da consciência de nosso medo, que enfrentar as coisas vem da consciência do nosso desejo de fugir, que nossa alegria vem da consciência da nossa depressão, e que nossa esperança vem da consciência de nosso desespero.
Cremos que se após a morte não existir nada, este nada será uma forma de existir, que nós somos bons, verdadeiros, honestos, livres e sábios por natureza embora às vezes sejamos maus, desonestos, presos e ignorantes. Que o mal não existe em si mesmo, é apenas a ausência do bem.
Cremos que mestre é aquele que aprende e não o que ensina, que a autoridade vem dos fatos e não das pessoas. Que não queremos e não podemos ter qualquer compromisso com o sucesso, que viver é apenas viver, e não viver em função de alguma coisa.
Que não estamos neste mundo para viver em função da nossa esposa, do nosso marido, dos nossos filhos... Só estamos neste mundo para vivermos com eles. Que o amor é quando somos bons e verdadeiros ao mesmo tempo.
Cremos que nascemos para ser e não para ter, pois o dinheiro é um meio, instrumento do viver, e não um fim na vida, que pessoas não são coisas e, portanto não são propriedade de ninguém. Que amor é liberdade e que liberdade é o casamento entre o que queremos e o que podemos. Que a vida é um mistério e que nós somos parte dele, que ajudar alguém não é dizer ao outro como ele tem que se, é ajuda-lo a se ajudar, é ajuda-lo a não precisar de nós.
Cremos que é sempre possível arranjar uma desculpa para nos divertirmos, para sermos felizes. Que amar é ser inocente, acreditar nas pessoas como uma criança acredita na outra, que inocência é ver uma gota de orvalho numa flor, ver o broto das árvores,
É ver uma borboleta voar, é saudar o por do sol, é deixar cair uma lágrima, é sujar as mãos na terra, é rir dos nossos limites, é beijar o ar, é respirar uma música, é contar as estrelas, é desprevenir-se...
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
Antonio Roberto Soares
Cremos que a família menos que um conjunto de obrigações, é um laboratório de treinamento na operacionalidade do amor, uma experiência comum das diferenças individuais, é na diferença que se situam o crescimento e o amor e que crescer é fazermos em níveis maiores a ligação entre os contrários!
Cremos que o tempo não existe, como força fora de nós, mas que o tempo somos nós mesmos em movimento, em transitoriedade... Que a segurança não existe a não ser como a aceitação da insegurança básica da pessoa humana. Que o amor, a bondade, a verdade e a ternura devem ser cultivados não por imposição moral, mas porque fazem parte das leis naturais do mundo.
Cremos que estamos na vida para louvar a gratuidade, a simplicidade e o imprevisto, que a vida só se vive no improviso, no rascunho. Que nenhum de nós é um todo, mas apenas uma parte, que a alma é um pedaço de nosso corpo e que nosso corpo é um pedaço de nossa alma.
Cremos que até nisso as pessoas são iguais, cada um é diferente, que somos criança, adultos e velhos ao mesmo tempo. Que viver é juntar diariamente o separado e separar diariamente o que está junto.
Cremos que se aprendemos a nadar, temos que aprender a mergulhar, e que para aprendermos a ganhar, temos que aprendermos a perder, que para aprendermos a viver temos que aprender a morrer, que para sentir prazer temos que aprender a sentir dor. Que para aprendermos, a saber, temos que aprendermos a não saber!
Cremos que ser diferentes é ser livre, que o passado e o futuro são importantes como referência da nossa vida, e não como uma determinante dela, que existem o conhecido, o desconhecido e o incognoscível. Que o vazio faz parte do mundo e é onde recebemos o mundo, jamais teremos segurança total, inteligência total, presença total, saúde total, potência total.
Cremos que nossa força vem da consciência de nossa fraqueza, que nossa coragem vem da consciência de nosso medo, que enfrentar as coisas vem da consciência do nosso desejo de fugir, que nossa alegria vem da consciência da nossa depressão, e que nossa esperança vem da consciência de nosso desespero.
Cremos que se após a morte não existir nada, este nada será uma forma de existir, que nós somos bons, verdadeiros, honestos, livres e sábios por natureza embora às vezes sejamos maus, desonestos, presos e ignorantes. Que o mal não existe em si mesmo, é apenas a ausência do bem.
Cremos que mestre é aquele que aprende e não o que ensina, que a autoridade vem dos fatos e não das pessoas. Que não queremos e não podemos ter qualquer compromisso com o sucesso, que viver é apenas viver, e não viver em função de alguma coisa.
Que não estamos neste mundo para viver em função da nossa esposa, do nosso marido, dos nossos filhos... Só estamos neste mundo para vivermos com eles. Que o amor é quando somos bons e verdadeiros ao mesmo tempo.
Cremos que nascemos para ser e não para ter, pois o dinheiro é um meio, instrumento do viver, e não um fim na vida, que pessoas não são coisas e, portanto não são propriedade de ninguém. Que amor é liberdade e que liberdade é o casamento entre o que queremos e o que podemos. Que a vida é um mistério e que nós somos parte dele, que ajudar alguém não é dizer ao outro como ele tem que se, é ajuda-lo a se ajudar, é ajuda-lo a não precisar de nós.
Cremos que é sempre possível arranjar uma desculpa para nos divertirmos, para sermos felizes. Que amar é ser inocente, acreditar nas pessoas como uma criança acredita na outra, que inocência é ver uma gota de orvalho numa flor, ver o broto das árvores,
É ver uma borboleta voar, é saudar o por do sol, é deixar cair uma lágrima, é sujar as mãos na terra, é rir dos nossos limites, é beijar o ar, é respirar uma música, é contar as estrelas, é desprevenir-se...
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado do CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
Antonio Roberto Soares
sábado, 29 de maio de 2010
Vítima
Todo comportamento humano decorre da concepção que nós temos da realidade, e nesta realidade existe dois pólos bastante distintos: nós e aquilo que nós somos... nós e aquilo que nos cercam... nós e as outras pessoas... Nossa postura na vida depende de como nós estabelecemos esta relação, a relação entre nós e os outros, entre nós e os membros da nossa família, entre nós e outros membros da sociedade, entre nós e as coisas... a relação entre nós e o trabalho, entre nós e a realidade externa... A nossa maneira de sentir e de viver depende de como cada um de nós interioriza a relação entre essas duas partes da realidade, entre estes dois blocos da realidade, uma das formas que aprendemos de relacionarmos com os outros é a postura que designamos por vítima!
O que é a vítima? Vítima é a pessoa que se sente inferior a realidade, é a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo, é a pessoa que se sente desgraçada face aos acontecimentos, é aquele que é acostumada a ver a realidade nos seus aspectos negativos, ela sempre sabe o que não pode, o que não deve, o que não dá certo, ela só consegue ver a sombra da realidade, em paralelo com uma incrível capacidade para diagnosticar os problemas existentes, há nela uma incapacidade estrutural de procurar o caminho das soluções e neste sentido ela transfere os problemas dela para os outros...
transfere para as circunstâncias... para o mundo exterior a responsabilidade do que lhe está acontecendo, ela não assume sua posição na vida, culpa os outros pelo o que está acontecendo no seu modo de encarar e perceber a vida, esta é a postura da justificativa!
Justificar-se é o sinal de que não queremos mudar, para não assumirmos o erro nos justificamos ou seja transformamos o que está errado em injusto, e de justificativa em justificativa... paralisamo-nos, impedimo-nos de crescer!
A vítima é incompetente com a sua relação com o mundo externo, enquanto colocarmos a responsabilidade total dos nossos problemas nas outras pessoas e circunstancias, tiraremos de nós mesmos a possibilidade de crescimento...
Em vez disto vamos procurar mudar as outras pessoas, este tipo de postura provem do sentimento de solidão, é quando não percebemos que somos responsáveis pela nossa própria vida, por seus altos e baixos... seu bem e seu mal... suas alegrias e tristezas, é quando nossa felicidade se torna dependente da maneira que os outros agem, é quando condicionamos nossa felicidade e paz interior ao comportamento dos outros, à ação dos outros... quer eles sejam nossos amigos, nossos filhos, nossos pais, nossos cônjuges, nossos colegas de trabalho ou qualquer outras pessoas que conosco se relacionam...
E como as pessoas não agem segundo nosso padrão, sentimo-nos infelizes e sofredores, realmente a melhor maneira de sermos infelizes é acreditarmos que compete à outra pessoa nos dar felicidade... e assim mascaramos nossa própria vida frente aos problemas
A postura de vítima é a máscara que usamos para não assumir a realidade difícil quando ela se apresenta, a falta da vontade de crescer, de mudar da vítima é escondida pela capa da pressão externa, essa é uma das maiores ilusões de nossa vida, desejarmos transferir para a realidade que não nos pertence, sobre a qual não possuímos nenhum controle as deficiências das partes que nos cabe, toda relação humana é bi-lateral: nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca, o fato do mundo externo nos apresentar os aspectos negativos não quer dizer que nós sejamos perfeitos, e o fato de nós possuirmos uma deficiência não significa que o outro também à possua... estas duas partes da realidade não são antagônicas, não são uma simples relação causal,
e sim complementares e integradas. O maior mal que fazemos a nós próprios é usarmos as limitações de outras pessoas do nosso relacionamento, para não aceitar a nossa própria parte negativa...
Assim, usamos o sistema como bode expiatório para nossa acomodação no sofrimento, é a pessoa que transformou sua vida numa grande reclamação...
Seu modo de agir e estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que é mais cômoda do que fazer algo para resolver os problemas. A vítima usa o próprio sofrimento para controlar o sentimento alheio, ela se coloca como dominada, como fraca para dominar os sentimentos das outras pessoas.
O que mais caracteriza a vítima é a sua falta de vontade de crescer, sofrendo de uma doença chamada perfeccionismo, que é a não aceitação dos erros humanos, a intolerância com a imperfeição humana, a vítima desiste do próprio crescimento, ela se tortura com a idéia perfeccionista, com a imagem de como deveria ser e tortura também os outros relativamente à aquilo que as pessoas deveriam ser. Há na vítima uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ela própria criou, e sempre que temos um modelo ideal na cabeça, é para evitar entrar em contacto com a realidade. A vítima não se relaciona com as pessoas, aceitando-as como são mas da maneira que ela gostaria que fossem. É comum querermos que os outros sejam aquilo que não estamos conseguindo ser, desejar que o filho, a mulher e o amigo sejam o que nós não somos, colocar-se como vítima é uma forma de se negar na relação humana. Por esta postura não estamos presentes, não valemos nada, somos meros objetos da situação, querendo ser o todo colocamo-nos na situação de sermos nada, todavia as dificuldades e as limitações do mundo externo são apenas o desafio ao nosso desenvolvimento, se assumirmos o nosso espaço e estivermos presentes. Assim quanto pior for um doente tanto mais competente deve ser o médico, quanto pior for um aluno mais competente deve ser o professor, assim também quanto pior for o sistema ou a sociedade que nos cerca mais competentes devemos ser com pessoas que fazem parte desta sociedade... quanto pior for nosso filho mais competentes devemos ser como pais e mães, quanto pior for nossa mulher mais competentes devemos ser como maridos, quanto pior for nosso marido mais competentes devemos ser como esposa e assim por diante...
Desta forma, colocamo-nos em posição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para nossas mudanças existenciais, só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence, a nossa fantasia está em querermos mudar o mundo inteiro para sermos felizes. Todos nós, temos parte da responsabilidade naquilo que está ocorrendo, não rara às vezes atribuímos à sociedade atual, ao mundo a causa de nossas atribulações e problemas.... Talvez seja esta a mais comum das posturas da vítima, generalizar para não resolver, os problemas de nossa vida só podem se resolver no concreto e em particular, dizer por exemplo que somos pressionados pela sociedade a levar uma vida que não nos satisfaz é colocar o problema de maneira insolúvel. Todavia, perguntar a nós mesmos quais são as pessoas que concretamente estão nos pressionando para fazermos o que nos desagrada, pode trazer uma solução, só podemos lidar com a sociedade com termos concretos, palpáveis... Conforme nos relacionamos com cada pessoa, em cada lugar, em cada momento, estamos nos relacionando com a sociedade, pois cada pessoa específica num determinado lugar e momento é a sociedade para nós naquela hora, generalizamos de maneira comum para não solucionarmos, e como tudo aquilo que nos acontece está vinculado com a realidade, toda vez que quisermos encontrar desculpas para nós basta olhar a imperfeição externa.
Colocar-se como vítima é economizar coragem para assumir a limitação humana, é não querer admitir que a morte antecede a vida, que a semente morre antes de nascer, que a noite antecede o dia. A vítima transforma as dificuldades em conflito, a sua vida é um beco sem saída... Ser vítima é querer fugir da realidade, do erro, da imperfeição, dos limites humanos, todas as evidências de nossa vida demonstram que o erro existe, existe em nós... nos outros e no mundo, é a pessoa que não quer ver o óbvio. Fazemos o jogo daqueles que nos querem controlar quando nos colocamos na posição de vítimas, não aceitando a fragilidade, as dificuldades humanas. A vítima é uma pessoa orgulhosa que veste a capa da humildade... o orgulho dela vem de acreditar que ela é perfeita e que os outros que não prestam, crê que o mundo não fosse do jeito que ele é, se sua esposa não fosse do jeito que é, se seus filhos não fossem do jeito que eles são, se seu marido fosse diferente, ela estaria bem... Porque, ela, vítima é boa... os outros que tem deficiências, apenas os outros tem que mudar, a este jogo chama-se o jogo da infelicidade... A vítima é uma pessoa que sofre e gosta de fazer os outros sofrerem com o sofrimento dela... É a pessoa que usa suas dificuldades físicas, afetivas, financeiras, conjugais, profissionais para não crescer mas para permanecer nelas, e a partir disso fazer chantagem emocional com as outras pessoas...
A maioria de nossas mágoas e ressentimentos resultam de que nós achamos se sangrarmos outras pessoas sofrerão, e se cairmos outros ficarão tristes, é uma atitude de vingança à outras pessoas. A vítima é a pessoa que não se perdoou por não ser perfeita e transformou o sofrimento num modo de ser, no modo de se relacionar com o mundo, é como se olhasse para a luz e dissesse que pena que tenha sombra! É como olhasse para a vida e dissesse que pena que haja a morte! É como se olhasse para o sim e dissesse que pena que haja o não! E todas as vezes que quiser ser feliz é fácil basta ver o que há de negativo...A luz e a sombra são faces de uma mesma moeda, a vida é feita de vales e de montanhas, não são as circunstâncias que nos oprimem, é a maneira que nos posicionamos diante dessas circunstâncias, porque nas mesmas circunstâncias que uns procuram o caminho do crescimento, outros procuram o caminho da loucura, o caminho da alienação. As circunstâncias são as mesmas, o que muda é a disposição para o alvorecer, para o desabrochar ou a disposição pra murchar e fenecer...
Viver é resolver problemas e para cada problema existe uma solução, porque um problema só pode ser verdadeiro se houver solução, um problema sem solução é um problema falso. Às vezes, preferimos ficar com os problemas falsos para evitar a solução dos problemas verdadeiros, um dos jogos preferidos pela vítima para sofrer e para fazer os outros sofrerem é o jogo do passado... O jogo do passado consiste em atribuirmos ao passado a responsabilidade do que nos está ocorrendo no presente, é quando transpomos o passado para a realidade se tivéssemos estudado, se tivéssemos casado com outra pessoa, se nossos pais não fossem como são, se nossa infância não fosse como foi, se não tivéssemos perdido aquela oportunidade...
se não tivéssemos tido filhos estaríamos bem, porque nos julgamos bons e perfeitos, não possuímos limitações, quem possui limitação é nossa mãe, nosso pai, nossa infância, nosso passado... Este jogo é paralisante porque transforma numa visão causal, linear a nossa própria vida quando de fato é estrutural e dinâmica...
Através deste jogo, selamos nossa vida com a crença num destino predeterminado e com isso escondemos a nossa falta de coragem para mudar hoje o que tem que ser mudado. As pessoas podem viver olhando para a frente, entendendo que hoje é o primeiro dia do resto de suas vidas ou então ficar olhando para trás, de costas para a vida, são aquelas pessoas que não conseguem viver o que está acontecendo hoje, pois estão muito pressas a tudo o que já passou, a tudo aquilo que já morreu, mais cedo ou mais tarde temos que nos perguntar: é o passado que cria nosso presente? Ou é o presente que cria o nosso passado? Evidentemente, aprendemos que é o passado que faz o presente, que o momento presente é o fruto de tudo o que já passou... mas temos, em nome da nossa felicidade, reaprender que é o presente que cria o passado... Em outras palavras, tudo antes de ser passado, teve primeiro que ser presente, tudo o que estamos fazendo agora daqui a pouco será passado...
Vivamos intensamente o nosso presente, o nosso agora... porque daqui a pouco ele será passado e não volta nunca mais!!!
A vida é um momento sem retorno, é o aqui e o agora... não podemos substituir o nosso presente pelas preocupações com o futuro e nem tão pouco substituir a gratuidade e o calor do momento presente pelas friezas das lembranças do passado pois recordar é morrer. O passado tem um profundo significado na nossa vida mas somente como aprendizado, apenas como referência para o nosso presente e não como determinante da vida que vivemos hoje.
Nós somos o mundo e a vida em transformação, o presente é o único momento que de fato existe em nossa vida. A maneira mais desvitalizada de ser é transformar-se numa estátua de sal voltada para trás ... Mas há pessoas que preferem viver o frio, o morno o fantasma do ontem ao invés da inebriante alegria, a vida e o calor do momento presente! Viver o presente é aceitar que humanamente só podemos ser felizes apesar de alguma coisa, que nós somos o que somos e não o que os outros querem que sejamos e que viver é aceitar a co-autoria vivencial entre nós e o mundo, fazendo uma síntese com a vida que nos rodeia...
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado de CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
O que é a vítima? Vítima é a pessoa que se sente inferior a realidade, é a pessoa que se sente esmagada pelo mundo externo, é a pessoa que se sente desgraçada face aos acontecimentos, é aquele que é acostumada a ver a realidade nos seus aspectos negativos, ela sempre sabe o que não pode, o que não deve, o que não dá certo, ela só consegue ver a sombra da realidade, em paralelo com uma incrível capacidade para diagnosticar os problemas existentes, há nela uma incapacidade estrutural de procurar o caminho das soluções e neste sentido ela transfere os problemas dela para os outros...
transfere para as circunstâncias... para o mundo exterior a responsabilidade do que lhe está acontecendo, ela não assume sua posição na vida, culpa os outros pelo o que está acontecendo no seu modo de encarar e perceber a vida, esta é a postura da justificativa!
Justificar-se é o sinal de que não queremos mudar, para não assumirmos o erro nos justificamos ou seja transformamos o que está errado em injusto, e de justificativa em justificativa... paralisamo-nos, impedimo-nos de crescer!
A vítima é incompetente com a sua relação com o mundo externo, enquanto colocarmos a responsabilidade total dos nossos problemas nas outras pessoas e circunstancias, tiraremos de nós mesmos a possibilidade de crescimento...
Em vez disto vamos procurar mudar as outras pessoas, este tipo de postura provem do sentimento de solidão, é quando não percebemos que somos responsáveis pela nossa própria vida, por seus altos e baixos... seu bem e seu mal... suas alegrias e tristezas, é quando nossa felicidade se torna dependente da maneira que os outros agem, é quando condicionamos nossa felicidade e paz interior ao comportamento dos outros, à ação dos outros... quer eles sejam nossos amigos, nossos filhos, nossos pais, nossos cônjuges, nossos colegas de trabalho ou qualquer outras pessoas que conosco se relacionam...
E como as pessoas não agem segundo nosso padrão, sentimo-nos infelizes e sofredores, realmente a melhor maneira de sermos infelizes é acreditarmos que compete à outra pessoa nos dar felicidade... e assim mascaramos nossa própria vida frente aos problemas
A postura de vítima é a máscara que usamos para não assumir a realidade difícil quando ela se apresenta, a falta da vontade de crescer, de mudar da vítima é escondida pela capa da pressão externa, essa é uma das maiores ilusões de nossa vida, desejarmos transferir para a realidade que não nos pertence, sobre a qual não possuímos nenhum controle as deficiências das partes que nos cabe, toda relação humana é bi-lateral: nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca, o fato do mundo externo nos apresentar os aspectos negativos não quer dizer que nós sejamos perfeitos, e o fato de nós possuirmos uma deficiência não significa que o outro também à possua... estas duas partes da realidade não são antagônicas, não são uma simples relação causal,
e sim complementares e integradas. O maior mal que fazemos a nós próprios é usarmos as limitações de outras pessoas do nosso relacionamento, para não aceitar a nossa própria parte negativa...
Assim, usamos o sistema como bode expiatório para nossa acomodação no sofrimento, é a pessoa que transformou sua vida numa grande reclamação...
Seu modo de agir e estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que é mais cômoda do que fazer algo para resolver os problemas. A vítima usa o próprio sofrimento para controlar o sentimento alheio, ela se coloca como dominada, como fraca para dominar os sentimentos das outras pessoas.
O que mais caracteriza a vítima é a sua falta de vontade de crescer, sofrendo de uma doença chamada perfeccionismo, que é a não aceitação dos erros humanos, a intolerância com a imperfeição humana, a vítima desiste do próprio crescimento, ela se tortura com a idéia perfeccionista, com a imagem de como deveria ser e tortura também os outros relativamente à aquilo que as pessoas deveriam ser. Há na vítima uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ela própria criou, e sempre que temos um modelo ideal na cabeça, é para evitar entrar em contacto com a realidade. A vítima não se relaciona com as pessoas, aceitando-as como são mas da maneira que ela gostaria que fossem. É comum querermos que os outros sejam aquilo que não estamos conseguindo ser, desejar que o filho, a mulher e o amigo sejam o que nós não somos, colocar-se como vítima é uma forma de se negar na relação humana. Por esta postura não estamos presentes, não valemos nada, somos meros objetos da situação, querendo ser o todo colocamo-nos na situação de sermos nada, todavia as dificuldades e as limitações do mundo externo são apenas o desafio ao nosso desenvolvimento, se assumirmos o nosso espaço e estivermos presentes. Assim quanto pior for um doente tanto mais competente deve ser o médico, quanto pior for um aluno mais competente deve ser o professor, assim também quanto pior for o sistema ou a sociedade que nos cerca mais competentes devemos ser com pessoas que fazem parte desta sociedade... quanto pior for nosso filho mais competentes devemos ser como pais e mães, quanto pior for nossa mulher mais competentes devemos ser como maridos, quanto pior for nosso marido mais competentes devemos ser como esposa e assim por diante...
Desta forma, colocamo-nos em posição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para nossas mudanças existenciais, só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence, a nossa fantasia está em querermos mudar o mundo inteiro para sermos felizes. Todos nós, temos parte da responsabilidade naquilo que está ocorrendo, não rara às vezes atribuímos à sociedade atual, ao mundo a causa de nossas atribulações e problemas.... Talvez seja esta a mais comum das posturas da vítima, generalizar para não resolver, os problemas de nossa vida só podem se resolver no concreto e em particular, dizer por exemplo que somos pressionados pela sociedade a levar uma vida que não nos satisfaz é colocar o problema de maneira insolúvel. Todavia, perguntar a nós mesmos quais são as pessoas que concretamente estão nos pressionando para fazermos o que nos desagrada, pode trazer uma solução, só podemos lidar com a sociedade com termos concretos, palpáveis... Conforme nos relacionamos com cada pessoa, em cada lugar, em cada momento, estamos nos relacionando com a sociedade, pois cada pessoa específica num determinado lugar e momento é a sociedade para nós naquela hora, generalizamos de maneira comum para não solucionarmos, e como tudo aquilo que nos acontece está vinculado com a realidade, toda vez que quisermos encontrar desculpas para nós basta olhar a imperfeição externa.
Colocar-se como vítima é economizar coragem para assumir a limitação humana, é não querer admitir que a morte antecede a vida, que a semente morre antes de nascer, que a noite antecede o dia. A vítima transforma as dificuldades em conflito, a sua vida é um beco sem saída... Ser vítima é querer fugir da realidade, do erro, da imperfeição, dos limites humanos, todas as evidências de nossa vida demonstram que o erro existe, existe em nós... nos outros e no mundo, é a pessoa que não quer ver o óbvio. Fazemos o jogo daqueles que nos querem controlar quando nos colocamos na posição de vítimas, não aceitando a fragilidade, as dificuldades humanas. A vítima é uma pessoa orgulhosa que veste a capa da humildade... o orgulho dela vem de acreditar que ela é perfeita e que os outros que não prestam, crê que o mundo não fosse do jeito que ele é, se sua esposa não fosse do jeito que é, se seus filhos não fossem do jeito que eles são, se seu marido fosse diferente, ela estaria bem... Porque, ela, vítima é boa... os outros que tem deficiências, apenas os outros tem que mudar, a este jogo chama-se o jogo da infelicidade... A vítima é uma pessoa que sofre e gosta de fazer os outros sofrerem com o sofrimento dela... É a pessoa que usa suas dificuldades físicas, afetivas, financeiras, conjugais, profissionais para não crescer mas para permanecer nelas, e a partir disso fazer chantagem emocional com as outras pessoas...
A maioria de nossas mágoas e ressentimentos resultam de que nós achamos se sangrarmos outras pessoas sofrerão, e se cairmos outros ficarão tristes, é uma atitude de vingança à outras pessoas. A vítima é a pessoa que não se perdoou por não ser perfeita e transformou o sofrimento num modo de ser, no modo de se relacionar com o mundo, é como se olhasse para a luz e dissesse que pena que tenha sombra! É como olhasse para a vida e dissesse que pena que haja a morte! É como se olhasse para o sim e dissesse que pena que haja o não! E todas as vezes que quiser ser feliz é fácil basta ver o que há de negativo...A luz e a sombra são faces de uma mesma moeda, a vida é feita de vales e de montanhas, não são as circunstâncias que nos oprimem, é a maneira que nos posicionamos diante dessas circunstâncias, porque nas mesmas circunstâncias que uns procuram o caminho do crescimento, outros procuram o caminho da loucura, o caminho da alienação. As circunstâncias são as mesmas, o que muda é a disposição para o alvorecer, para o desabrochar ou a disposição pra murchar e fenecer...
Viver é resolver problemas e para cada problema existe uma solução, porque um problema só pode ser verdadeiro se houver solução, um problema sem solução é um problema falso. Às vezes, preferimos ficar com os problemas falsos para evitar a solução dos problemas verdadeiros, um dos jogos preferidos pela vítima para sofrer e para fazer os outros sofrerem é o jogo do passado... O jogo do passado consiste em atribuirmos ao passado a responsabilidade do que nos está ocorrendo no presente, é quando transpomos o passado para a realidade se tivéssemos estudado, se tivéssemos casado com outra pessoa, se nossos pais não fossem como são, se nossa infância não fosse como foi, se não tivéssemos perdido aquela oportunidade...
se não tivéssemos tido filhos estaríamos bem, porque nos julgamos bons e perfeitos, não possuímos limitações, quem possui limitação é nossa mãe, nosso pai, nossa infância, nosso passado... Este jogo é paralisante porque transforma numa visão causal, linear a nossa própria vida quando de fato é estrutural e dinâmica...
Através deste jogo, selamos nossa vida com a crença num destino predeterminado e com isso escondemos a nossa falta de coragem para mudar hoje o que tem que ser mudado. As pessoas podem viver olhando para a frente, entendendo que hoje é o primeiro dia do resto de suas vidas ou então ficar olhando para trás, de costas para a vida, são aquelas pessoas que não conseguem viver o que está acontecendo hoje, pois estão muito pressas a tudo o que já passou, a tudo aquilo que já morreu, mais cedo ou mais tarde temos que nos perguntar: é o passado que cria nosso presente? Ou é o presente que cria o nosso passado? Evidentemente, aprendemos que é o passado que faz o presente, que o momento presente é o fruto de tudo o que já passou... mas temos, em nome da nossa felicidade, reaprender que é o presente que cria o passado... Em outras palavras, tudo antes de ser passado, teve primeiro que ser presente, tudo o que estamos fazendo agora daqui a pouco será passado...
Vivamos intensamente o nosso presente, o nosso agora... porque daqui a pouco ele será passado e não volta nunca mais!!!
A vida é um momento sem retorno, é o aqui e o agora... não podemos substituir o nosso presente pelas preocupações com o futuro e nem tão pouco substituir a gratuidade e o calor do momento presente pelas friezas das lembranças do passado pois recordar é morrer. O passado tem um profundo significado na nossa vida mas somente como aprendizado, apenas como referência para o nosso presente e não como determinante da vida que vivemos hoje.
Nós somos o mundo e a vida em transformação, o presente é o único momento que de fato existe em nossa vida. A maneira mais desvitalizada de ser é transformar-se numa estátua de sal voltada para trás ... Mas há pessoas que preferem viver o frio, o morno o fantasma do ontem ao invés da inebriante alegria, a vida e o calor do momento presente! Viver o presente é aceitar que humanamente só podemos ser felizes apesar de alguma coisa, que nós somos o que somos e não o que os outros querem que sejamos e que viver é aceitar a co-autoria vivencial entre nós e o mundo, fazendo uma síntese com a vida que nos rodeia...
Antonio Roberto Soares
(Texto retirado de CD da Ordem Rosacruz AMORC - http://www.amorc.org.br/ - Desenvolvimento Comportamental)
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